Syntagma

Hoje é Domingo. Decido levantar-me mais tarde. Às 8 da manhã. 

O taxista diz-me que vou chegar a horas. Não percebo o que quer dizer. Só lhe disse que queria ir para a famosíssima Praça Syntagma, o berço da revolução falhada do Syriza. Ele não fala inglês e, apesar de saber que eu não percebo grego, vai falando (sozinho). Só percebo ‘Merkl’ e ‘Sarcozy’ de vez em quando. Adivinho o que quererá dizer  Afinal, sem querer e por coincidência, chego mesmo em cima da hora (isto está a tornar-se um hábito) para ver o famosíssimo render da guarda no monumento do soldado desconhecido, mesmo em frente ao Parlamento Helénico (outro símbolo da efémera revolução grega). Aqui, o render da guarda é um teatro para turista ver, tal como em Londres. Não me admiro se um dia cobrarem bilhete. Mas não deixa de ser giro ver homens de collants brancos, saia e sei lá o que mais. Imaginem. 

Amontoamo-nos uns em cima dos outros para obter o melhor ângulo fotográfico.   

Depois de me cansar de fotografar, dirijo-me ao estádio Panathenaic, berço dos primeiros jogos olímpicos da era moderna, em 1896. Mais uma vez demoro com as fotografias. Fotografia no pódio (em primeiro, claro); fotografia na tribuna de 1896; fotografia na pista da maratona; fotografia deitado, sentado, em pose atlética; enfim, tanta fotografia que deixei cair a máquina fotográfica em cima do frio e duro mármore que já foi branco. Funciona, apesar de se ter aberto (não danificado, espero). O mais curioso é que tirou uma foto quando caiu (em baixo, uma obra de arte).   Envio uma foto para os meus amigos maratonistas Jonhy Orange, Mary Fátima e Melany Mull. Quem corre maratonas tem de fazer o percurso original, desde a aldeia de Marathona até a este estádio. 

Glória aos que conseguem. Eu não. Para já. Talvez consiga quando os gregos tiverem um superávite orçamental.
Fico a saber que os +*#$¥^& dos pombos gregos são inteligentes. Estou a almoçar no Zappeion e mal alguém se senta e lhe é servido o aperitivo com frutos secos, os sacanas saem do seu pedestal e aterram na mesa. Quando vêm que não tem hipótese, voam até ao seu poleiro à espera de outra vítima. 

Pago e a menina leva o POS para a rua. Levanta-o e depois diz-me:”Rede fraca.” Não me atrevo a fazer mais perguntas. Next.
Caminho até aos bairros típicos de Plaka e Anafiotoka. Ambos na encosta da acrópole. Digamos que são a Alfama e a Mouraria atenienses. Sem dúvida que os nossos tem mais pinta, mas são igualmente cansativos. Sobe. Desce. Volta a subir. Volta a descer. 
Sento-me na esplanada de um café cujo nome nem sequer consigo identificar no recibo e como uma tarde de maçã e um smothie. O ambiente é bastante cosy. Gosto. Gosto bastante.  

Já percebi que há dois costumes (ou serão obrigações!?) um pouco estranhos:

– quando nos sentamos num café somos imediatamente presenteados com um copo de água (da torneira) grátis.

– sempre que pedimos mais alguma coisa, lá vem um papelinho para um copo específico da mesa. Se pedirmos quatro vezes, temos quatro facturas no copo. No final é só fazer a conta e … pagar. Ah … e não vale antena pedir uma factura única, porque não há.   

Há minha frente estão três belas espécimens gregas com dois mariolas cá do sítio. Estão os cinco em silêncio … e de telemóvel em punho. Isto está a ir por um belo caminho. Penso (enquanto escrevo este texto … no meu).

Atenas, Grécia, 22 de Novembro de 2015
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