Hellas

As cidades não me impressionam. Vou fazer um esforço, já que sou “obrigado” a ficar em Atenas durante uns dias. Blasfemo, dirão alguns.

Atenas não é uma cidade qualquer. É o berço de uma enorme lista de coisas, incluindo da democracia. Mas é melhor nem me alongar neste tema.   

Para a acrópole.“, digo ao taxista. Talvez consiga entrar antes de fechar. Chego. A tempo. Pago os 12 euros com o seguinte aviso: “Tem 20 minutos. Depois fechamos.”

  Vim a correr de Tirana, na Albânia. Fui a correr do aeroporto para o hotel. Depois do hotel para a acrópole. E agora este grego diz-me para me despachar. Pois que espere. Vou demorar o tempo que me apetecer.
A visita à acrópole é uma decepção. Confesso. 

Apenas aproveito a fantástica vista de 360 graus para esta gigantesca cidade. Todos os monumentos estão em ruínas e, muitos deles, nem sequer existem. Temos de os imaginar. São obviamente excepção o Parthenon, que está sempre em obras (quais obras de Santa Engrácia), o Teatro de Dionysios e o Anfiteatro de Herodes. Tudo o resto não existe. É imaginado. Passo. Next.  

  
Saio da acrópole convencido de que vista de longe será muito mais interessante. Sigo para o monte Filopappou. A meio caminho encontro a Prisão de Sócrates. Só pode ser uma miragem. Mas não é. Eu até pagava para o nosso Zé ficar ali uns aninhos.

  Subo por um carreiro numa zona arborizada e, com a certeza de que a transpiração que me desce pela testa vai valer a pena, dirijo-me a um ponto onde conseguirei ver a acrópole. Confirma-se. Linda. Mágica. 

Ajudo um grupo de polacas, que estão por aqui numa despedida de solteira, e tiro-lhes algumas fotos em pose. Parecem um grupo de sereias sentadas num rochedo com a acrópole ao fundo. Belas … fotos. O cenário e as modelos ajudam. Fico invejoso e peço a uma delas para me tirar fotos parecidas, seguindo as minhas indicações. Pena é terem ficado todas horribilis. Estou habituado. Creio que me vou ter de render ao stick.

  Sento-me e demoro o tempo necessário para apreciar a panorâmica urbana, o mar e a acrópole. 

O meu telemóvel morreu. Fiquei desligado do mundo e das selfies ao meu gosto. Cada vez mais acho que o carregador e o wi-fi deviam estar na base da pirâmide de Maslow. Ao que isto chegou. 
Desço a Avenida Apóstolo Paulo. O local onde se vendem todo o tipo de bugigangas, artesanato e lembranças. Anoitece. 
  Dou uma vista de olhos ao mapa que saquei da net e que aconselha um percurso pedestre de um dia. Hoje fiz 1/3. Talvez o mais interessante. Amanhã faço o resto. 

Janto no Hard Rock Athens. Por coincidência, hoje há três clássicos que me interessam: Benfica-Sporting (Portugal); Real-Barça (Espanha); e, Olympiacos-Panatynaicos (Grécia). Seja o que os Deuses do Olimpo quiserem. Mas não auguro nada de bom.

O meu dia vai longo. Não resisto em voltar ao monte Filopappou, onde tirei as melhores fotografias da acrópole. Problemas: fica no topo de um monte coberto de vegetação do meu tamanho, não tem iluminação, nem segurança, nem placas indicativas. Isto é: não vou conseguir ver o caminho e não é nada seguro. Entro no negrume da vegetação.

  Subo com a ajuda da lua, de todos os Santos e com os sentidos em alerta. Este é o local mais do que perfeito para assaltar turistas durante a noite. Por isso mesmo não anda por aqui ninguém. Estou só. 

Valeu a pena. A vista é mágica. Perigosa. 

Este é o 33 país que visito.

Atenas, Grécia, 21 de Novembro de 2015

Esta crónica foi escrita no meu telemóvel.

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