M10: Sigam os japoneses!

Marḥaban bikum

مَرْحَباً بكُم 

Estou a tomar o pequeno-almoço no terraço do hotel. 

O acesso a este Dar (=Riad) pode ser medonho e labiríntico, mas logo que se abre a porta, parece que entrei noutra dimensão. Os interiores são bem decorados e os quartos confortáveis. A vista do terraço é absolutamente fenomenal. Talvez das paisagens urbanas mais incríveis que já vi. Vejo praticamente toda a medina de Fez. Lindo. Indescritível. 

O nosso grupo, agora de 4, encontra-se e decide ir visitar as atrações fora das muralhas. Vou. Tenho tempo. 

A única atracção que me falta é o local onde se tratam as peles. Existem muitos em Fez, mas eu quero um em particular – o maior, o mais bonito, o spot de Fez. Vamos. Hala! Hala!

Aventuramo-nos sozinhos. Só pode dar asneira. E deu. Perdemo-nos. Óbvio. Só quem já veio a Fez perceberá o que quero dizer. Se Marrakesh era um labirinto, Fez é infinitamente pior. 

Ensino a Andrea e a Bianca uma técnica infalível para quando estamos perdidos ou queremos ver as principais atracções de algum lugar: seguir um grupo organizado de turistas. Não falha. E não falhou.

Sabemos que estamos perto do local, pelo cheiro, pela agitação e pelos inúmeros “voluntários” que, por alguns dirhams, nos levam a todo sítio, depois de passarmos pela loja deles, claro.

Vejo um grupo de japoneses, todos em fila, com um pequeno ramo de hortelã na mão. Das duas uma: ou vão para lá ou veem de lá. A hortelã serve para despistar o cheiro e manter o estômago calmo – indispensável para quem visita o local onde queremos ir. Arriscamos. 

Eu: “Sigam este grupo de japoneses!”

Lá vamos nós, infiltrados, por ruelas onde apenas passa uma pessoa. Um labirinto sem fim. Jamais teríamos conseguido chegar aqui. Jamais. Nunca. Mas chegámos.

A vista para o local de tratamento das peles é simultaneamente aterradora, pelas condições de trabalho desta gente, e deslumbrante, pelas cores. O cheiro é absolutamente nauseabundo (apesar de eu esperar pior) mas suportável. Apesar disso, dou bastante uso ao ramo de hortelã que nos deram à entrada. O meu estômago mantém-se calmo. Que alívio. 

Fica-me na memória a reacção imediata de Andrea: “I love my job!”. Também eu. Não tenho dúvidas. Nenhumas. 



Depois vamos ver a famosíssima porta dourada do palácio real que, literalmente, queima quem lhe toca (é o que me acontece). É um dos símbolos de Marrocos. Entretanto Bianca ensina-me algumas palavras de alemão austríaco: vamos, vamos comer, vamos dormir. Gosto. 

Passo o resto da tarde a gastar os últimos dirhams que tenho em compras de marroquinaria. Alguns bons negócios (acho eu) e outros nem tanto. Isto mais parece um mercado de quinquilharia. Por vezes, até creio que em Lisboa encontro as mesmas coisas e mais baratas.

Despeço-me das meninas e de Gabor. Creio que, em conjunto com Dino, fizemos um grupo espetacular, que tornou esta pequena viagem inesquecível. 

Passo a noite no terraço do hotel a ouvir os sons da cidade e a ver o interminável casario sarapintado de amarelo. 

Fez, 9 de Março de 2015

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