M9: Despedida emotiva

Ki deir?

كي دير

Acordo com o esperado andar novo. Dores e mais dores. Espero que nada se tenha estragado lá por baixo.

Nova negociação. Novo taxi. Novo Mercedes a cair de velho. Vão ser mais quase 4 horas de viagem e de muito contacto humano. Bom.

Paramos em Ifrane, que mais parece uma cidade suíça, tal é o luxo da arquitectura, da vegetação, da riqueza notória e da … neve. Marrocos é um país de contrastes, naturais e sociais.

Paramos mais algumas vezes para mudar de posição no carro. O agricultor que nos conduz é dos poucos tipos porreiros que encontramos (ou, pelo menos, parece). Pena só saber francês e mal, tal como nós. Apenas Andrea e eu arranhamos um pouco desta língua morta.

Aproveito o tempo que ainda nos falta para falar de política e economia com o Dino. Foi ele que puxou pelo tema: a crise. Ele é claramente apoiante do PODEMOS e anti-Merkel. Esteve alguns anos desempregado, depois de 4 anos a dar aulas na escola pública. Emigrou para sobreviver. Conta-me histórias de desespero de amigos e família próxima.

Paramos na estação de comboios porque ele tem de ir para Tanger. Amanhã é dia de aulas. Diz-nos que ainda tem duas horas e que vai almoçar connosco. Novo taxi. Nova negociação. Nova canseira.



O stressado do húngaro, com mentalidade alemã, não pára de perguntar: “Então qual é o plano?” Esta gente não sabe o que é viajar sem stress. Não percebe nada da cultura mediterrânea. Esta também foi uma das conclusões da minha conversa anterior sobre economia. 

Almoçamos num fantástico terraço com vista privilegiada para a Porta Azul. A entrada da Medina é o único sítio onde encontramos restaurantes decentes.



Entretanto, tínhamos perdido Gabor, o húngaro, que se deixou levar pela conversa destes aldrabões. Dino volta atrás e encontra-o. 

Todos os grupos têm líderes. O do nosso é Dino. Vive em Marrocos e sabe como funcionam as mentes marroquinas. Todos confiamos nele. Tem 27 anos e é um tipo cinco estrelas. Os seus amigos devem sentir-se privilegiados. 

Despeço-me dele com um grande abraço e com a promessa de nos encontrarmos em Tanger ou em Lisboa. Confesso que foi uma despedida emotiva. Todos os elementos do deste pequeno grupo são porreiros, mas se não tivesse sido ele, esta viagem não tinha sido tão aventureira. Tão saborosa. Tão intensa.

Combino com as meninas e Gabor novo encontro para amanhã, às 10, debaixo da porta azul.

Perco-me na Medina na busca incessante pelo meu hotel. 

Porque os marroquinos conseguem ler-nos o pensamento através dos olhos e da nossa atitude, tenho 3 técnicas infalíveis para evitar que eles me chateiem: óculos escuros (assim não sabem para onde estamos a olhar ou se os estamos a ouvir); simular que estamos ao telefone (para não perceberem que estou perdido e à procura de indicações); não lhes responder (basta uma resposta para não nos largarem – é a forma de descobrirem a nossa língua). Funciona.



Ligo para o hotel e Rachid vem-me buscar à praça Rcif. Indica-me o caminho para o hotel. Aqui, em vez de um mapa, as referências são monumentos, placas de publicidade e pormenores das casas. Jamais tinha chegado aqui. Jamais. Nem com o mais preciso GPS.



A rua de acesso ao hotel deve ser medonha à noite, penso. E é.

Saio do hotel (um oásis no meio desta confusão) e, para não me esquecer do complicadíssimo percurso, faço o caminho de ida e regresso. Entretanto, um suposto estudante sugere-me um Hammam erótico e haxixe.

Humm …

Fez, 8 de Março de 2015.

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