M6: Porque é que eu me meto nestas cenas

Allahu Akbar.

الله أكبر

Há malta que desperta ao som do rádio, outros com a luz e outros ainda com o cotovelo da parceira. Eu acordei hoje ao som: do primeiro chamamento para a oração. Devem ser umas 5:30 da matina. Allahu Akbar, mas podia levantar-se um pouco mais tarde.

O &@^#¥$ do empregado do hotel atrasou-se e, por isso, não tomo o pequeno-almoço. Isto começa bem e vai acabar ainda melhor. 

Apanho a carrinha que me levará durante os próximos 3 dias até ao deserto. A praça Djemma el-Fna está irreconhecível. Limpa. Vazia. Morta. Parece que ontem nada se passou aqui. Nem ante-ontem. Nem no anterior. Impressionante.Tomar o comprimido para o enjoo foi melhor decisão do dia. Subir e descer o Atlas é pior do que tortura chinesa num barco em dia de tempestade. Curvas, curvas e mais curvas. Turista sofre.



As encostas do Atlas estão sarapintadas com pequenas aldeias de meia dúzia de casas construídas com adobe escuro. E uma mesquita, claro. Gosto. Adoro.

Ait ben Haddou é uma belíssima surpresa. Também não é por acaso que é património da UNESCO. O cenário é lindíssimo. Um conjunto de kasbas numa encosta junto ao rio. Rodeado por um palmeiral. Cena de postal. De filme. 



Não é por acaso que filmes como Ben Hur, Gladiator, Game of Thrones e atenção  mesmo a série The Bible, com o Diogo Morgado, foram filmados aqui. A tortura valeu a pena. Mas ainda não acabou. 

A única paragem de interesse foi mesmo esta. Daqui às gargantas de Todra foram mais umas tortuosas longas horas de caminho. Porque é que eu me meto nestas coisas, interrogo-me.

Os 350 km de estrada que percorri estão controlados por diversos postos de controlo policial… ainda não percebi bem para quê. Ir num grupo tem a vantagem de não ter de parar.

O grupo onde estou é muito diverso: 4 brasileiros (o português está em maioria), 2 alemães, 1 húngaro, 2 espanhóis e … 1 casal escocês, que, ora está pedrado ou pedrado está. Tudo malta porreira.

Começo a ficar farto de marroquinoces. 

– A tour que comprei foi de 4 dias, mas esta é de 3. “Vai duas vezes ao deserto!” – diz o motorista. 

– O preço incluía a viagem para Fez, mas agora já não inclui. 

– Devíamos ter parado em Ouzazarte e no Vale das rosas, e isso não aconteceu. 

– O guia limita-se a conduzir. Nem diz onde estamos, onde passamos, nada … se soubesse tinha vindo de autocarro público. 

Enfim. Cambada de aldrabões. 

Todra Gorges, 5 de Março de 2015

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