M4: Low cost, bdah!

É a primeira vez que viajo numa low cost. 

Antes de qualquer comentário, quero dizer que por 13,90 euros, para 1,5 horas de voo, não se pode esperar muito. Não espero embarque prioritário, lounge VIP, a sandocha, o sumo, o café, o jornal, ar condicionado decente (sim, letal bem), ou ainda espaço para tudo o que é malas e afins. 

A fila acumula-se em frente à porta de embarque e o stress de saber se a mala cabe ou não cabe naquela odiosa e maldita caixa de metal apodera-se de todos.



As hospedeiras, que nem um sorriso forçado tentam esboçar, tratam-nos como carneiros a entrar no matadouro.

Neste voo podemos levar um trólei de cabine e uma mala de mão. Um luxo, diria eu. Esperava menos. Muito menos.

A espanhola que vai à minha frente leva: uma bolsa de mão, um trólei, um saco de plástico grande e outra bolsa de mão. Ou seja: 4 peças.

Quando a hospedeira lhe pergunta quantas peças leva, ela responde com a maior cara-de-pau: 2. E eu pensava que os Tugas eram descarados.

Levo o meu saco australiano que Kate me ofereceu na China. Chega para uma semana.



Começa a dança das cadeiras mal o voo estabiliza no ar. Há que aproveitar os melhores lugares vazios. É o vale tudo. Não me importo. Gosto do lugar que me calhou em sorte. Ao meu lado direito viaja a carioca Larissa que daqui a duas semanas visitará Lisboa; e ao meu lado esquerdo, vai o Alfonso, o Valhadolidenho que vai passar 6 dias a Marrakesh. 

A malta que viaja nestas companhias é maioritariamente jovem. Por isso, este voo mais parece um galinheiro, sem galo, tal é a quantidade de conversas paralelas num tom de voz elevado. De súbito o excêntrico hospedeiro-mor anuncia:

Ele: “É aproveitar, é aproveitar!! Baixamos os preços dos perfumes! Barato! Barato! 1/4 do preço! Melhor do que no mercado!”

Eu, a pensar: “Sim, sim… isto mais parece um.”



Larissa  entreteu-se a pintar as unhas de transparente, ou seja lá como se chama essa cor … se é que é uma cor (ora aqui está um bom tema para discutir aqui e agora). Azar dos azares porque a tampa do frasco caiu no chão. O charme da carioca lá consegue que toda a gente ao seu redor esteja a procurar a dita… que obviamente encontrámos.

Um marroquino, que habla un castellano perfecto, recebe-me no aeroporto e leva-me ao Riad. 



São 11 e picos da noite e a visão desta zona da Medina de Marraqueche é simultaneamente assustadora, pela arquitectura medonha (se é que podermos chamar a isto arquitectura) e encantadora, pela beleza dos cantos e recantos, e dos contrastes da luz. 

Está tudo fechado. Claro. 

Estou curioso para ver como será esta mesma rua amanhã. 

Até lá.

Madrid, 3 de Março de 2015

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