Debod

Já sabem o quão paranóico sou com barulhos fantasmas. Hoje foi o das portas dos quartos do hotel. São 8:10 de matina e o frenesim do entra e sai não me deixa dormir. ‘Mas esta gente não sabe que hoje é sábado!?’ Não durmo. Óbvio. Levanto-me.

Durante o pequeno-almoço, o meu cérebro entra em conflito: trouxe trabalho para terminar, mas está um dia frio e solarengo. Adoro. Adoro. Adoro. Decido enquanto tomo o pequeno-almoço.

Visito o Tripadvisor e procuro as atracções principais de Madrid: já fui, já fui, não quero ir, não gosto, já fui, não me interessa, nem que me paguem, Templo de Debod: pode ser interessante.
Depois vou ao fórum da Lonely Planet – o Thorn Tree (o ‘google’ dos aventureiros), e procuro ‘1 day in Madrid’. Não encontro nenhuma dica com interesse.

Penso então em insistir numa corridinha pelo parque do ex-Rei (este conceito de haver um ex-Rei, assim como 2 Papas, faz-me alguma confusão). Da última vez que corri com o Fernando, consegui aguentar os 10km quase sem dores nos joelhos. Hoje vou fazer a prova dos nove, para evitar uma ida ao ortopedista. Calço as minhas novas e espampanantes ASICS e ponho o GARMIN no pulso. Não corre mal. Corre, literalmente, pessimamente.

Vou de metro até à Calle Fuencarral, a minha preferida de Madrid. Alguns passageiros olham-me de soslaio, ao verem-me de calças chino, camisa branca, canadiana e … uns ténis verdes florescentes. ‘Me dá igual’, penso em castelhano. Este calçado é o único que não afecta uma bolha num dedo do pé esquerdo.

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Já passam das duas da tarde e estou a desfalecer com fome. Decido experimentar o Mercado de San Ildefonso. Em Espanha, todos os mercados têm nomes de santos. Gosto, mas está a abarrotar. Estes sítios deviam ter porteiro a limitar o número de entradas (estou a brincar). Não me consigo mexer. Bazo (esta palavra não existe no dicionário, creio eu). Este, o de San Antón e o de San Miguel, são os meus mercados preferidos de Madrid. O de San Ildefonso é o mais claustrofobico. O de San Miguel o mais bonito. O de San Antón o mais confortável.

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Atravessar a rua é hoje uma aventura, tal é o número de pessoas que anda por Madrid. Creio que até em Hanoi era mais fácil e rápido. Anda tudo maluco. Saiu tudo à rua. Não admira. Cheira a ‘Navidad’.

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O Templo de Debod, com 2200 anos, ficou para trás. É simples e bonito, mas ver um templo egípcio em plena Madrid, não deixa de ser estúpido. O templo de adoração a Isis e Amon foi doado em 1968 pelo governo egípcio aos espanhóis, como compensação pela ajuda na manutenção dos templos de Nubia. Mais ou menos o mesmo se tivéssemos oferecido a Torre de Belém a qualquer outro país que nos tivesse ajudado a restaurar o Mosteiro dos Jerónimos. Estúpido. Já estou a imaginar um cargueiro pleno Tejo a recolher as ‘peças’.

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Entretanto hesito em comprar a loteria de Natal -o El Gordo. A agência de apostas da Porta do Sol tem uma fila de centenas (sim, centenas) de pessoas.
Está decidido. Não vai ser este ano que vou ficar rico. Que chatice.

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