Conversinha

Andar de táxi em Lisboa é sempre uma aventura. Para o bem e, muitas vezes, para o mal. Não é o caso.

Faltam 15 minutos para as oito da manhã e interrompo o único taxista que está na praça próxima da minha casa. Acabou de acender o cigarro. Azar. Dele.

Ele, ligeiramente indignado: “O meu filho é um bocado esquisito com as dietas e com os cigarros. Ele agradece-lhe.” – diz-me, depois de eu lhe ter pedido desculpa por ter estragado um cigarro inteiro.

Ele: “Este fim de semana fomos aos caracóis e ele era o único na mesa a beber sumo! Já vou isto?! Com 22 anos e a comer caracóis com sumo!”

Eu: “… pois, eu nem gosto de caracóis, mas …”

Ele: “No outro dia tive uma conversa com ele.”

Eu, curioso, a pensar que o pai ia dar uma de enólogo: “Então?!”

Ele: “A namorada dele até é bem jeitosa.”

Eu, a pensar: “Ui, para onde isto vai!”

Ele: “Tive de lhe perguntar: o que é que fazes quando estás no sótão com ela?! Tu não me digas que não desbravas (sim, estou a citar) aquilo tudo?!”

Eu riu-me ligeiramente, mas com vontade de me deitar no taxi e rir à gargalhada. “Se tivesses uma filha não pensavas assim.”

Ele: “Eu sou assim. No outro dia tive uma conversinha com a minha filha.”

Eu, a pensar: “Medo.”

Ele: “Então mas o teu casamento está bem?! Já estás casada quase há cinco anos e não me dás uma netinha?!”

Ele: “Já me esqueci. Vai para que terminal?”

Os táxis são uma autêntica universidade da vida. Quanto menor for a corrida, mais interessante é.

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