A culpa foi da Vanessa.

Viajar é também sinónimo de integrar. Terá muitos outros, mas este é seguramente um deles. Pelo menos na minha concepção de viajante (não turista).

Depois de mais de um ano de visitas semanais a Madrid decidi integrar-me no Clube Nike+ Madrid. Ainda fui a tempo. Ninguém deu pela minha falta.

Poderia aqui enumerar uma quantidade enorme de desculpas, como: não gostar de correr em cidade (para forrar os pulmões com dióxido de carbono, já me basta o dia a dia); ter uma pista de jogging a 30 metros da porta do meu hotel; ter o maior (não o melhor) parque verde de Madrid (Rei Juan Carlos I) mesmo ali ao lado; ter de andar com o equipamento para trás e para a frente; enfim, chega de desculpas esfarrapadas.

Hoje decidi ir. Visto a braçadeira da Head, os calções Adidas, a t-shirt Asics, as meias Kalenji, e lá vou eu para a corrida da Nike, apenas com sapatilhas da marca. Deve chegar para me aceitarem. Espero.

Chego atrasado porque estive a trocar mensagens com a Vanessa, que, ora ia, ora não ia. Ora quero muito ir e não posso, ora fica para a semana. Compreendo. Mulheres. (Atenção que isto não é para ser interpretado como um comentário machista.)

O certo é que cheguei atrasado e na hora de escolher o grupo onde me inserir (fácil, intermédio ou avançado) escolhi o que estava mais ao “pé”. Asneira. Da grande.

Depois de 2 km, o meu fôlego deu logo por este erro. Os dois primeiros grupos não podem correr a esta velocidade. Diz-me o meu coração, a pedido dos pulmões, pernas e abdominais.

Pergunto a um companheiro de corrida: “Este grupo não é o intermédio, pois não?”. (Esta frase deve ler-se em castelhano.)

Ele ri-se e responde que não. Estás no avançado.

O je, para não dar parte fraca, aguenta o treino até metade. Até ao km 4. Depois dos exercícios que um magnífico espécimen feminino nos motiva (obriga) a fazer debaixo do arvoredo da Casa de Campo, regressamos ao início, à loja da Nike, na Gran Via, em pleno centro de Madrid. O único prazer desta corrida foi mesmo sofrer às mãos dela. Acho que não me importaria de morrer mais vezes.

Uma pequena correcção, em abono da verdade, não regressaram todos juntos. Eu parei no km 5.

Morto.

São 20:30, mas só quem passou por Madrid, sabe o quão quente está a esta hora. Transpiro por todos os poros e tenho a boca mais seca do que a areia em pleno Sahara.
Parei quando vi a subida da Cuesta de San Vicente.
Se tivesse trazido dinheiro, apanhava um táxi. Isto é vergonhoso de dizer, eu sei. Não digam a ninguém.

Em suma, viajar é integrar. Mas é importante que se faça no grupo certo. Não foi o meu caso.

A culpa foi da Vanessa.

(Desculpa lá, mas o culpado não podia ser, obviamente, eu.)

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